Estudo do governo de SP admite que privatização da Sabesp não garante redução da conta de água

Estudo do governo de SP admite que privatização da Sabesp não garante redução da conta de água

 

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

25 de outubro de 2023

O governador Tarcísio de Freitas afirmou que a conta d, água vai diminuir com a privatização, mas não diz o quanto ficará mais barata a tarifa e nem por quanto tempo a suposta redução se manteria. O próprio estudo para a privatização, encomendado por ele, admite que a gestão privada não garantiria uma redução das atuais tarifas.

O Sintaema teve acesso ao estudo que recomendou a privatização e custou 45 milhões de reais aos cofres públicos sem passar por licitação. Na página 23 do primeiro relatório, o IFC, consultoria responsável pelo estudo, afirma: “por mais que a gestão privada seja eficiente com os investimentos e custos operacionais a serem realizados, isso somente não garantiria uma redução das atuais tarifas da Sabesp. em especial dado o robusto plano de investimentos para o próximo ano.”

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“A quem Tarcísio quer enganar? O mesmo estudo também afirma que para reduzir a tarifa de imediato poderia ser usada parte dos recursos recebidos com a venda da Sabesp. Essa hipótese foi recebida com ironia em uma sessão do TCM-SP. Um dos conselheiros disse que fazer o que o estudo sugere é o mesmo que vender a casa para pagar o aluguel”, alertou a direção do Sintaema.

O sindicato lembrou que o governo do Estado esconde da população que as tarifas da Sabesp estão entre as mais baixas do país. A empresa cumpre um papel social estratégico oferecendo políticas especiais para os segmentos mais pobres da população como a tarifa social e a tarifa vulnerável. O valor pago na tarifa social é de R$ 22,38. No caso da tarifa vulnerável, as famílias pagam R$ 17,06 na conta, dágua.

Se comparar a tarifa social de São Paulo com as tarifas de cidades que foram privatizadas, como Campo Grande e Manaus, o valor nessas duas cidades supera em 100% o valor que é praticado em São Paulo. Se considerar apenas Campo Grande, a tarifa social nesta cidade é 172,5% mais cara que a de São Paulo.

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“Se o governador quiser baixar a tarifa agora ele pode fazer isso basta estender o prazo de contrato entre a Sabesp e os municípios maiores. Não há nenhum impeditivo legal para isso. A verdade é que Tarcísio não quer reduzir tarifa. Ele quer oferecer uma empresa lucrativa e bem avaliada pelos municípios como a Sabesp para a iniciativa privada que vai colocar o lucro acima da saúde e da qualidade de vida do povo”, concluiu o Sintaema.


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